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17.6.10

querido diário,

(A Persistência da Memória, Salvador Dalí - um mimo pra a minha angústia)

eu nunca quis crescer. nunca quis ser gente grande. nem pintava a boca e as unhas quando já deveria, talvez um desejo inconsciente de retardar o "amadurecimento". eu nunca quis deixar de ser filha. aí eu cresci. virei uma pessoa responsável. sou mãe. querido diário, algumas vezes a vida deveria ser como a gente quer, neam?

14.6.10

aí a gente percebe...

... que a vida pode terminar mais rápido do que se deseja e a gente não sofre tanto como diz que sofre. então nos resta ter gratidão e obrigação de tentar ser feliz.

algumas coisas acontecem longe da gente, mas é impossível não se tocar. principalmente quando se tem filho (s) na história. semana passada terminou mal pra mim. e não passou...

9.6.10

frus.tra.ção

já não aguento mais comer carne ou frango no almoço, embora não morra de amores por carne de peixe, resolvi comprar merluza na última ida ao super mercado, dos males o menor. comprei o peixe em uma embalagem que não dava pra ver a carne, foi aí que me dei mal. ontem eu fiz uma volta no mundo para comprar uma garrafinha de leite de coco. lá pelas 21h00 fui fazer o almoço. comecei cortando os temperos, quando abri a embalagem vi que não era o filé (já comecei a me chatear), depois vi que tinha o couro (misericórdia). mas já era tarde e as outras carnes estavam congeladas. aí comecei a fazer meu peixe. estava tão frustrada que nem lembrei de salgar. acabou ficando completamente sem sal, diria até que ficou doce. resultado: estou evitando ir almoçar.

8.6.10

boa pergunta

o que eu amo quando te amo?

O suicídio nosso de cada dia.

Tenho horror à palavra suicídio, ao ato e seus efeitos. Mas beber uma porção de chumbinho é bem fácil ou dar um tiro no meio do céu da boca. O sujeito é logo chamado de fraco (pior, que sem a menor chance de defesa), mas faz a porcaria de uma vez por todas. Sem dúvida é menos doloroso do que viver com a falsa ideia de que tem uma vidinha legal. Não gosto de suicídios, mas sou uma suicida. Isso mesmo. Sabe de que forma?

Quando eu brigo
Quando eu opto por não seguir o que eu sei que é a minha melhor (e talvez única) opção no momento
Quando eu entro no jogo de pessoas nocivas
Quando eu amo quem não merece
Quando eu dou o melhor de mim e espero retorno
Quando eu fumo
Quando eu bebo
Quando eu me empanturro de comida que não presta
Quando eu deixo meu coração/pulmão/articulações enferrujarem
Quando eu me acostumo com o emprego que não presta
Quando eu vejo um monte de livro legal sem ler
Quando eu acredito em mentiras
Quando eu invento mentiras para continuar numa zona de (falso) conforto
Quando eu me violento
Quando eu deixo uma pessoa ter razão sem que ela de fato tenha
E em muitos outros atos cotidianos...

É duro se dar conta disso. Pior ainda é não se dar conta disto. Por isso proponho um acordo: identifique o que faz você cometer seus suicídios diários e faça exatamente o contrário. Eu já deixei de fazer algumas coisas desta lista acima, outras já estão a caminho. A vida melhora um pouquinho.

Vamos viver!!!