Ele tinha olhos de água-viva. Olhos que dançavam pelos olhares alheios. Uma contradição ao seu corpo duro. Corpo que impunha respeito só em passar, mesmo que as pessoas só o vissem de soslaio.
Não era o gingado.
Não se tratava de um corpo dito perfeito.
A imponência vinha da postura, não era qualquer coisa que se apalpasse, era qualquer coisa que invadia, se instalava, como um acordo tácito. Tamanha era a majestade deste corpo que, mesmo com a dureza gritante, atraía outros corpos; estes corpos sabiam que não seriam mais os mesmos e morreriam de saudade do contato áspero e indiferente. Ninguém entendia o motivo desta contradição.
Até ver os próprios olhos dançando junto com os olhos de água-viva.
Só até este momento.
E apenas a lembrança já valia a saudade.