30.5.09
28.5.09
Toquinho
Momento confissão: quis aprender a tocar violão pra tocar igual a ele... tsc, tsc!
24.5.09
Presente do presente que se faz tão presente
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
in "Para não esquecer" - 5ª ed. - Siciliano - São Paulo, 1992
23.5.09
18.5.09
até nos contos de fadas...

Aaaaaamooooooooooo!
tu tens,
ele tem!!!!"
(Gentem, ver Helena dançando esta música NÃO TEM PREÇO!)
14.5.09
10.5.09
Mais Helena...
Era finalzinho de 2006, ano que mais pareceu um mar revolto tamanha dificuldade de atravessá-lo. Já estava no sétimo mês, barriga enorme. E sentada numa das mesas dos famosos acarajés do Rio Vermelho Ricardo olhou pra mim e falou “tu já pensou que Helena é a única pessoa que vai te conhecer por dentro e por fora?”. Quase engasguei. Ele completou com o jeito sério “mas não estou falando das tuas tripas, não”. Eu sabia que não era, foi justamente por causa disto que me assustei com a constatação. Mas pra ela foi um bom estágio. Desde lá de dentro ela sabe que mamãe não nega sorriso, muito menos um brado. Desde lá de dentro ela conheceu o que é calmaria e tempestade.
Mamãe, coragem!
Estes dois trechinhos de Guimarães Rosa traduzem o que é a maternidade pra mim. Obrigada, Heleninha!
“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe.”
(...)
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem.”
(Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa)
9.5.09
Não sai da minha cabeça
Mas o dia nasce e eu esqueço
(...)
Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei se eu mereço."
(Não sei dançar - Alvin L.)
7.5.09
De repente 30!
Se alguém me perguntar quem é Gleisse ou o que ela significa pra mim vai ter uma resposta imediata. Gueu é a amiga que me ajudou no PIOR momento da universidade, ela também me ensinou a acreditar que eu posso um monte de coisas, me amou com meus quilos de defeitos, continuou me amando mesmo com a distância e hoje ela aquece meu coração como poucas pessoas sabem fazer. Gueu, eu te amo (e vc sabe que isto não é um clichê) e desejo a vc toda a felicidade que sua alma conseguir suportar.
Tenha uma vida doce e colorida, baby. E desculpa a falta de criatividade, vc merece muito mais...
6.5.09
Lula lá!
5.5.09
Marcus, parabéns pra vc!
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
2.5.09
Academicices
Tenho asco dessa gente que arrota conhecimento acadêmico, normas técnicas e curriculum lattes. Me causa engulhos ver alguém colocando os títulos à frente do nome numa simples apresentação. Ou que enche o ego com essa patifaria, que aliás, é perfeitamente adequada à ambiçãozinha dessa gentinha pragmática e desinteressante que infesta seminários, conferências e congressos. Típico ambiente boçal e bocejante. Diante disso tudo, me orgulho em dizer que não sou nada, não sou ninguém. E me sinto feliz e satisfeito com essa condição.
1.5.09
Quem é que paga a conta?
Está duvidando de mim? Assista então a “Um beijo roubado”.
