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10.7.15

Ê, meu pai...

Ontem foi aniversário de meu pai. Faria 75 anos se estivesse vivo. Para comemorar, passei o dia inteiro ouvindo Raul Seixas. Nunca vi meu pai ouvindo nada diferente de Teixeirinha, um cantor gaúcho, mas a primeira vez que ouvi Raul Seixas foi por causa dele. Geralmente painho trazia da feirinha da Estação Nova discos de vinil, e em um domingo da minha infância ele levou um LP de Raul para a gente. 
Fui me dar conta do conteúdo das músicas muitos anos depois, devo deixar claro que gosto muito. Um discurso tão lúcido que parecia piração. E meu pai, embora não soubesse, era bastante rock n' roll. Como Raulzito, não dava muita trela para o que os outros diziam ou pensavam se isto fosse atrapalhar a forma como ele queria conduzir a própria vida. 
Dois loucaços que morreram por causa das próprias escolhas, e aí está o mérito deles. Adoro pessoas que se respeitam, mesmo sabendo que vão pagar um alto preço por isto. Seu Zeca, te amo pelo que o senhor foi e pelo que não foi. Pelo que poderia, mas não quis ser.
No final das contas, tudo será perdoado mesmo. O amor serve é para depurar as ausências e as falhas. E obrigada por ter me apresentado a Raul Seixas, mesmo sem saber o quanto eu iria gostar dele.
Toca Raul!


3.3.15

Preciso não dormir...

E não é que eu consegui realizar um sonho que sempre tive? Consegui uma vaga em um mestrado. Eu que nunca fui muito estudiosa e nem inteligentona fiquei surpresa a grata a DEUS pela grande façanha. Passaram-se os primeiros semestres, foram as aulas e seus respectivos trabalhos. Fase 01 encerrada. Ok! Agora vem o terceiro semestre e a qualificação. Tenho até junho para faze um consistente capítulo da dissertação. É neste momento que eu aprofundo mais a minha - digamos - agonia. Escolhi três obras densas, de um autor incisivo - corte seco mesmo - embasada por conceitos que salteiam entre a filosofia e a sociologia. Às vezes penso que sou louca. Às vezes penso que sou burra. Às vezes penso que vou desistir. Não sei. Prevejo tempos difíceis. 
Maaaas dei uma sorte tremenda, consegui um orientador que, além de ser gentil, pode e me dá o suporte necessário. Mas escrever é como fazer terapia: é preciso ter vontade, força e impulso. 
Vamos ver que bicho que vai dar. Tenho medo, mas também tenho esperança. E em abril de 2016 tudo já vai ter terminado mesmo...