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10.7.15

Ê, meu pai...

Ontem foi aniversário de meu pai. Faria 75 anos se estivesse vivo. Para comemorar, passei o dia inteiro ouvindo Raul Seixas. Nunca vi meu pai ouvindo nada diferente de Teixeirinha, um cantor gaúcho, mas a primeira vez que ouvi Raul Seixas foi por causa dele. Geralmente painho trazia da feirinha da Estação Nova discos de vinil, e em um domingo da minha infância ele levou um LP de Raul para a gente. 
Fui me dar conta do conteúdo das músicas muitos anos depois, devo deixar claro que gosto muito. Um discurso tão lúcido que parecia piração. E meu pai, embora não soubesse, era bastante rock n' roll. Como Raulzito, não dava muita trela para o que os outros diziam ou pensavam se isto fosse atrapalhar a forma como ele queria conduzir a própria vida. 
Dois loucaços que morreram por causa das próprias escolhas, e aí está o mérito deles. Adoro pessoas que se respeitam, mesmo sabendo que vão pagar um alto preço por isto. Seu Zeca, te amo pelo que o senhor foi e pelo que não foi. Pelo que poderia, mas não quis ser.
No final das contas, tudo será perdoado mesmo. O amor serve é para depurar as ausências e as falhas. E obrigada por ter me apresentado a Raul Seixas, mesmo sem saber o quanto eu iria gostar dele.
Toca Raul!


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