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10.5.09

Mais Helena...

Era finalzinho de 2006, ano que mais pareceu um mar revolto tamanha dificuldade de atravessá-lo. Já estava no sétimo mês, barriga enorme. E sentada numa das mesas dos famosos acarajés do Rio Vermelho Ricardo olhou pra mim e falou “tu já pensou que Helena é a única pessoa que vai te conhecer por dentro e por fora?”. Quase engasguei. Ele completou com o jeito sério “mas não estou falando das tuas tripas, não”. Eu sabia que não era, foi justamente por causa disto que me assustei com a constatação. Mas pra ela foi um bom estágio. Desde lá de dentro ela sabe que mamãe não nega sorriso, muito menos um brado. Desde lá de dentro ela conheceu o que é calmaria e tempestade.

Mamãe, coragem!



Estes dois trechinhos de Guimarães Rosa traduzem o que é a maternidade pra mim. Obrigada, Heleninha!

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe.”

(...)

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem.”

(Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa)