Páginas

30.8.08

Amo!


Traduzindo-me em poesia... Com Pessoa.

O Meu Olhar (O guardador de Rebanhos II - Alberto Caeiro)
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando, olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Um comentário:

Anônimo disse...

Lelinha, querida, vc voltou, que bom!!!! Tava com saudades. Responda sim a lista, passo-a oficialmente para vc. E ouça Joni Mitchel mesmo,o tempo todo, vale a pena. Como vão as coisas? Como vai Heleninha? Beijos prás duas.