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6.5.09

Lula lá!

Soube hoje que o "chefe" vai conhecer nosso local de trabalho, aí eu fiquei pensando: se esta visita fosse há pouco menos de 08 anos eu iria me esfolar pra tirar um foto com ele pra mandar pra Eduardo, Lília e Fafate. Eles ficariam orgulhosos de mim como eu fiquei quando Amaury descreveu o encontro dele com o ex-barbamalfeita. Mas nos dias atuais é melhor conservar distância, pq se eu chegar muito perto, talvez Eduardo e Lília nem queiram mais conta comigo. Órfãos de pai vivo são muito ressentidos...

5.5.09

Marcus, parabéns pra vc!

Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[538]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

2.5.09

Academicices

Li o texto seguinte na descrição do orkut de um querido amigo. Hoje concordo com ele, mais que nunca...

Tenho asco dessa gente que arrota conhecimento acadêmico, normas técnicas e curriculum lattes. Me causa engulhos ver alguém colocando os títulos à frente do nome numa simples apresentação. Ou que enche o ego com essa patifaria, que aliás, é perfeitamente adequada à ambiçãozinha dessa gentinha pragmática e desinteressante que infesta seminários, conferências e congressos. Típico ambiente boçal e bocejante. Diante disso tudo, me orgulho em dizer que não sou nada, não sou ninguém. E me sinto feliz e satisfeito com essa condição.

1.5.09

Quem é que paga a conta?

Não tem coisa mais mortal que um afago na hora da fraqueza. Neste instante nasce uma dívida da qual o fraco fica refém eternamente do piedoso.

Está duvidando de mim? Assista então a “Um beijo roubado”.

28.4.09

Ouro 22

(em homenagem ao amigo Gildo)

Comecei - finalmente - minha especialização. E pra começar, me pediram para fazer um retrospecto da minha trajetória estudantil e profissional. Arrematei com isto:

Ouro de Tolo - Raul Seixas

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...


É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...